Em filmes, livros e contos mais antigos era muito nítido a disputa entre bem e o mal, certo e o errado. Nos seriados atuais por exemplo, filmes baseados em livros, etc, não conseguimos mais conciliar esse dualismo.

No começo você odeia o cara, que aparenta ser o vilão, porém, depois de alguns episódios você começa a gostar dele. Já foi os tempos em que a protagonista inocente era a mais adorada por seus espectadores. A astúcia e esperteza de alguns "vilões" tem ganhado a admiração.

Na vida com o passar do tempo, tempos que aprender o relativizar. As vezes o que é certo é errado. O que é mal é pro bem. O que é bom pode fazer mau. Sim! Na experiencia da vida, no conhecimento de si mesmo podemos experimentar dessa liberdade de decisões.

Quando crianças eramos submetidos as ordens de nossos pais. Eles sabiam as consequências de cada ação nossa. Não que pegar uma bola de gude seja errado, mas um bebezinho tudo que pega poem na boca, e ae, passa a ser prejudicial.

Os mandamentos de Deus foram eficazes para o povo de Israel. Eram todos meninos, infantis, novos nessa experiencia do viver teocrático. Se você perceber, todos os 10 mandamentos se resumem ao um modo de viver tranquilo que nos faz viver melhor, tanto pra si quanto ao próximo. Por isso Jesus resumiu estes para unicamente dois. Ame a Deus, Ame o Próximo.

Ela não deve ser entendida de maneira dogmática "Não posso fazer isso porque na Bíblia (ou alguém) diz que não posso", e sim que "Ao meu entender, se eu fizer isso, o resultado disso tanto pra mim quanto pro outro não será agradável". É diferente. É consciente. É pensado. É sentido. É relativo a cada pessoa.

Quem gosta de nos colocar regras são os que não trabalham a consciência, nos estagnando a seres infantis. Estabeleça seus limites. Analise. Cresça!

"Portanto, não permitam que ninguém os julgue pelo que vocês comem ou bebem (...) Estas coisas são sombras do que haveria de vir; a realidade, porém, encontra-se em Cristo (...) “Não manuseie!”, “Não prove!”, “Não toque!”? Todas essas coisas estão destinadas a perecer pelo uso, pois se baseiam em mandamentos e ensinos humanos. Essas regras têm, de fato, aparência de sabedoria, com sua pretensa religiosidade, falsa humildade e severidade com o corpo, mas não têm valor algum para refrear os impulsos da carne". - Colossenses 2

"O fruto do Espírito é amor. Contra tal não há lei". - Gálatas 5:22-23

O terceiro perigo é que estar ocupado demais pode encobrir a podridão de nossa alma.

O compasso agitado da vida pode nos tornar física e espiritualmente doentes. Provavelmente isso não é surpresa para você. O que talvez não reconheçamos é que nossas agendas amalucadas muitas vezes são sinal de que um mal já se instalou.

Desde 2002 tenho me reunido a cada outono com alguns amigos do seminário. Nove dentre nós nos reuníamos semanalmente quando cursávamos o Gordon-Conwell, e quando nos formamos, fizemos um compromisso de nos encontrarmos uma vez ao ano. Comemos bastante, rimos muito e assistimos muito futebol. Também conversamos sobre nossas alegrias e lutas dos últimos doze meses. Com o passar dos anos temos observado temas conhecidos de cada um de nós. Talvez um esteja lutando com o descontentamento, outro com desânimo, outro com que direção tomar e outro com pressões relacionais no trabalho. Todos nós temos pecados que nos afligem e questões previsíveis. O meu pecado tem sido andar ocupado demais. Quando chega a hora de compartilhar, todo mundo já espera que vou falar o quanto tenho para fazer e que não sei o que eliminar da minha vida.

Embora possa soar nada saudável alguns homens crescidos continuarem lutando com os mesmos problemas ano após ano, o sinal saudável é que começamos a nos responsabilizar mais por essas dificuldades. Reconhecemos que se as mesmas questões atingem os mesmos homens todo ano, talvez a questão central esteja dentro de cada um de nós. O que diz a meu respeito o fato de que estou frequente e completamente dominado por esta questão? O que preciso aprender sobre mim mesmo? Quais as promessas bíblicas em que não estou crendo? Quais os mandamentos divinos que ignoro, quando deveria estar obedecendo? Que mandamentos autoimpostos eu estou obedecendo, quando deveria ignorá-los? O que está acontecendo dentro de minha alma para, durante todo ano, estar ocupado que nem louco ser a minha principal característica?

A presença de ocupação extrema em nossa vida pode estar apontando para problemas mais profundos — insidiosa tendência de agradar sobretudo às pessoas, ambição implacável, um sentimento de mal-estar, de falta de significado. “Ocupação em demasia serve como uma espécie de segurança existencial, um muro contra o vazio”, escreve Tim Kreider em seu artigo viral, “The ‘Busy’ Trap”, [A armadilha do ocupado] para o New York Times. “É óbvio que a sua vida não pode ser tola, trivial ou sem sentido se você estiver atarefado, de agenda completamente cheia, procurado para atender algo em todas as horas do dia”.O maior perigo com estar ocupado que nem louco é que podem existir perigos que você nunca teve tempo de considerar.

“Super ocupado” não significa que você seja um cristão fiel ou frutífero. Só quer dizer que você está ocupado, como todo mundo. E, como todo mundo, a sua alegria, o seu coração, a sua alma estão em perigo. Precisamos da Palavra de Deus para nos libertar. Precisamos de sabedoria bíblica para nos endireitar. O que realmente necessitamos é que o grande médico cure nossas almas exageradamente agendadas.

Se apenas pudéssemos tirar tempo para uma consulta!

Kevin DeYoung

Nós somos muito desesperado, ansiosos, inquietos, não sabemos esperar.

Deus podia ter feito o mundo em um piscar de olhos, porém, fez em 7 dias. Podia descer ao mundo de uma vez, mas decidiu fazer com que seu filho esperasse 9 meses para nascer e chegar aos 30 anos de idade para que começasse seu ministério. Morreu e só depois de 3 dias que ressuscitou.

Depois de 40 dias sua prisão e morte foi que seus seguidores receberam o Espírito Santo na festa do Pentecostes. Pedro conheceu Jesus de fato só depois de 3 anos andando com ele.

Então mano, a jornada com Cristo é um caminho constante e não uma porta que abrimos para chegar do outro lado e tudo acontecer 

A gloria está em ver Deus trabalhar em cada pedaço nosso.

“Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor.” - II Co 3:18

Rogério Melo 

O segundo perigo é que essa ocupação desenfreada pode roubar o coração.

O semeador jogou a semente com liberalidade. Algumas sementes caíram à beira do caminho e as aves devoraram tudo. Algumas caíram em chão rochoso e brotaram rapidamente, mas murcharam com o calor do primeiro sol ardente. Algumas sementes caíram entre os espinhos que sufocaram sua frágil vida. Nesta parábola de Jesus, há uma clara progressão (Marcos 4.1–20). Em alguns corações, a Palavra de Deus nada faz. Satanás a tira, logo que acabou de ser plantada. Em outros corações, de início a Palavra cresce, mas desvanece tão depressa quanto cresceu. As perseguições e provações colocam o possível cristão fora de ação. Mas na terceira categoria de falta de sucesso no plantio, a Palavra penetra mais fundo. A planta brota, chega quase ao ponto de produzir fruto. Parece que a terra é boa. Vida nova aparentemente está formando raízes. Tudo está a caminho para uma boa colheita. Até que surgem os espinhos.

João Calvino disse que o coração humano é “uma espessa floresta de espinhos”. Jesus dá nome específico a dois deles. O primeiro ele chama de “os cuidados deste mundo” (Marcos 4.19).

Para a maioria de nós, não é a heresia ou apostasia que fazem nossa fé sair dos eixos. São as preocupações da vida. Você tem de consertar o carro. O aquecedor de água pifa. A criançada precisa ir ao médico. Você ainda não conseguiu fazer sua declaração de imposto de renda. Sua conta no banco está sem saldo. Você se atrasou em escrever notas de agradecimento. Você prometeu à sua mãe que iria para a casa dela dar um jeito de consertar a torneira. Você está atrasado no planejamento para seu casamento. O concurso ou seu exame da OAB está chegando. Tem de mandar imediatamente mais currículos. O prazo da sua dissertação de mestrado está se esgotando. O tanque está vazio. O gramado precisa ser aparado. As cortinas da casa não estão colocadas. A lavadora de roupa está sacudindo e fazendo um barulho assustador. Esta é a vida para a maioria de nós, e está sufocando nossa vida espiritual.

Um segundo espinho está relacionado ao primeiro. Jesus diz que a obra da Palavra é engolida pelo desejo por outras coisas. As coisas em si não são o problema. O problema é tudo que fazemos para obter essas coisas, cuidar delas e conseguir cada vez mais. Não é de admirar que as pessoas mais estressadas do planeta vivam nos países mais ricos? Casas de veraneio, barcos, pacotes de férias, investimentos, imóveis, motocicletas incrementadas, carro novo, casa nova, computador de última geração, novos vídeo games, nova maquiagem, novos DVDs, novos downloads, novo — tudo isso leva tempo. Ouvimos sermões sem conta sobre os perigos do dinheiro, mas o perigo verdadeiro vem depois que você gastou seu dinheiro. Uma vez que você seja o proprietário, tem de fazer a manutenção, mantê-lo trabalhando e ficar atento para as últimas melhorias. Se as preocupações na vida não nos afundam, a manutenção consegue fazer isso!

Jesus sabe do que está falando. Por mais que oremos contra o diabo e oremos pela igreja perseguida, no pensamento de Jesus a maior ameaça ao evangelho é a mera exaustão. A situação de estar ocupado demais mata mais cristãos do que balas. Quantos sermões perdem seu poder por causa de excessivas preparações de almoços ou jantares e jogos de futebol profissionais? Quantos momentos de dor são desperdiçados porque nunca paramos tempo suficiente para aprender com eles? Quantas vezes o culto particular e familiar foi esmagado por projetos de escola ou jogos de futebol? Precisamos guardar, vigiar o coração. A semente da Palavra de Deus não cresce para frutificação sem ser podada por repouso, calma e quietude.

A infiltração do mundo pornográfico está a um espaço de um clique. Não preciso nem ter a intenção de entrar. Se clico ou entro em algum site de download, está lá uma cena escrota e explícita de sexo. O ruim é que isso impregna na mente formando uma espécie de padrão psicológico, deformando-nos fazendo com que qualquer roupa na mulher ou no homem seja sexy, qual abraço ou gesto de carinho seja exitante. Atrapalha consequentemente nosso relacionamentos, e nossa capacidade de concentração.

Resumindo. Tudo o que nos controla, que nos torpece faz bastante mal! Quando mais evitarmos esse vírus, menos estaremos contaminados. Veja o video:


Por mais agitada e frustrante que a vida moderna possa ser, os maiores perigos não são as inconveniências materiais ou temporais. Uma pessoa pode fazer trabalho físico por doze horas diárias, seis dias por semana, a vida inteira e não sofrer por isso. Na verdade, ele (ou ela) poderá ser mais saudável ao fazer isso. Mas se o esforço for mental — como é o caso da maioria dos empregos e para a maioria de nós — os efeitos negativos sobre o corpo poderão ser gigantescos. Assim, não ignore o perigo físico de estar ocupado demais. Mas lembre apenas que as ameaças mais sérias são os perigos espirituais. Quando estamos ocupados como loucos, colocamos em risco nossa alma. O desafio não é apenas fazer desaparecer alguns maus hábitos. O desafio é impedir que as nossas vidas espirituais desvaneçam. Os perigos são sérios e crescentes. Poucos entre nós estão tão seguros quanto pensamos.

O primeiro perigo é que estar ocupado demais pode estragar nossa alegria.

Esta é a ameaça espiritual mais imediata e óbvia. Como cristãos, nossas vidas deviam ser caracterizadas pela alegria (Filipenses 4.4), com sabor de alegria (Gálatas 5.22) e cheias da plenitude da alegria (João 15.11). Ocupação em demasia ataca tudo isso. Um estudo diz que pessoas que viajam diariamente a serviço experimentam maior nível de estresse do que pilotos de aviões de bombardeio ou policiais. É isso que estamos enfrentando. Quando nossa vida está frenética e desvairada, somos mais propensos à ansiedade, ressentimentos, impaciência e irritabilidade.

Enquanto eu trabalhava neste livro, pude perceber em meu interior um espírito melhorado. Não por meus escritos, mas pelo tempo de folga que recebi para fazer o trabalho de escrever. Durante aquelas semanas sem as pressões de viajar, reuniões e constante preparo de sermões, descobri estar mais paciente com meus filhos, mais atento e sensível para com minha esposa, mais disposto a ouvir de Deus. É óbvio que todo mundo tem semanas e meses em que tudo que pode dar errado, e dá mesmo errado. Nesses períodos teremos de lutar com força para ter alegria no meio de muita ocupação. Mas poucos de nós lutarão agora mesmo em prol da alegria da próxima semana, enfrentando os hábitos desnecessários de ocupação atarantada que tornam a maioria das semanas em infeliz perturbação.

Há muitos anos escutei uma entrevista com Richard Swenson, médico cristão, sobre o conceito de “margem”. Não existe nada singularmente cristão sobre a ideia em si; mas existe algo muito anticristão em ignorá-la. “Margem”, diz Swenson, “é o espaço entre nosso fardo e nossos limites”. Planejar com margem significa planejar para o não planejável. Quer dizer que entendemos o que é possível a nós, criaturas finitas, e então agendamos para menos que isso!

No ano que se passou, percebi que eu não planejara nenhuma margem em minhas semanas — na verdade, tenho uma margem reversa. Olho para a próxima semana e antes de surgir qualquer interrupção ou novas oportunidades ou empecilhos, já tenho ideia de como conseguir fazer tudo. Vejo o agendamento das reuniões, os sermões que terei de preparar, os e-mails que preciso escrever, os blogs que tenho de postar, os projetos que tenho de completar, as pessoas que tenho de atender, e calculo que, se tudo der certo, ou um pouco melhor do que esperado, consigo espremer tudo na agenda. Mas, claro, não existem semanas ideais, e acabo sem nenhuma margem para absorver as surpresas. Então, eu corro, me arraso, e ocupando-me loucamente, boto a mão na massa. É só isso que consigo fazer naquele momento, porque não planejei melhor semanas atrás.

A ocupação desenfreada é como o pecado: mate-o ou ele vai matar você. Todos nós caímos num molde previsível. Começamos a nos sentir sobrepujados por um ou dois grandes projetos. Depois ficamos arrasados com o desgaste e perdemos esperança de encontrar novamente a paz e juramos que temos de mudar as coisas. Aí, duas semanas mais tarde, a vida parece mais suportável e esquecemos o que juramos até que o ciclo se repita novamente. Não percebemos que o tempo todo temos sido uns desgraçados sem alegria, retrucando sem dó e sendo pessoalmente simpáticos tanto quanto um gato arredio. Quando a ocupação vai atrás da alegria, vai contra a alegria de todo mundo.

As vezes nos deparamos com essas palavras difíceis de entender. Pesquisamos nos dicionários, perguntamos pessoas e o que temos é um significado literal ou superficial do assunto. Isso chega até a ajudar em alguns casos, porém, em outros nos atrapalha a compreender o que essa palavra, em essência existencial quer dizer.

A Palavra 'Torpe' é mencionado por Paulo de Tarso em uma das suas cartas, essa destinada aos cristãos que morava na cidade de Colossos.
"Mas agora, despojai-vos também de tudo: da ira, da cólera, da malícia, da maledicência, das palavras torpes da vossa boca." - Cl 3:8
A sentido superficial significa Xingamento, ou Palavrão. Qualquer que seja a palavra, essa não deve ser mencionada. A sentindo literal significa "Característica do que é indecente, que causa vergonha." (via).

É possível falar um Palavrão e mesmo assim não dizer uma Palavra Torpe?

Sim! A palavra torpe, ao contrário dos que os cristãos conservadores ditam, não é o palavrão ou xingamento em si, mas a intensão de ofender, denigrir, diminuir uma pessoa. Ao aprofundarmos um pouco, entendendo o cerne inicial da palavra nos dará verdadeiro sentido, contextual e essencial. Procurando em outros dicionários vamos encontrar que Torpe significa: "Capaz de entorpecer"; "Desonesto, vergonhoso"; "Interesseiro".

O problema de uma palavra torpe é a energia negativa que ela carrega consigo. O bullyng é um dos exemplos. Tenho amigo que tem os dentes grandes. Eu o apelidei de vários nomes, porém, o mais "inofencivo" trazia mais "prejuízo" a ele (Coelho). Isso se tornou torpe. Quem já não ouviu alguém ao ver uma criança que dá muito trabalho dizer: "Essa criança é uma benção!"?. A palavra: Uma das mais puras que existe. A intensão: Dizer de forma sarcasta que a criança é na verdade uma maldição. 

A psicologia entende que o ato de xingar é um descarregamento da raiva. Quem já bateu o dedinho numa quina sabe do que estou falando. A menos que você seja um monge, descarregar a alma, seja em grito ou choro é lavar a alma. Guardar mágoa, tristeza e raiva nunca será bom. 

Há pessoas que tem o hábito de dizer palavrões sem a intensão de ofender. Pessoas próximas a todo tempo fazem isso. O xingamento está sujeito a interpretações. Existe por acaso algum livro que pontue quais palavras são Palavrão? "Rapariga" aqui no Brasil está relacionada a mulheres de má estima, mas em Portugal significa apenas "Garota, menina". Alguns palavrões que usamos tem apenas o motivo de intensificar uma expressão. A palavra porra, por exemplo, está junta a algum tipo de indignação. A palavra foda-se, ou foder, ou foda tem um significado relacionado a erotização, mas na maioria das vezes é colocado para expressar algo muito ruim, ou muito bom, dependendo do contexto. 

Quem entender o que estou dizendo verá que não abri o caminho para que pessoas xinguem, mas na verdade estreitei-o mais ainda, pois até uma palavra inofensiva pode entorpecer. O mandamento sempre foi e será o Amor. O Paulo sempre presou o relacionamento. O palavrão pode significar um grau elevado de intimidade, mas fique atento a reação da pessoa. O único juiz é a sua consciência. Você saberá se o ambiente ou as pessoas que estão ao seu redor será propícios para algumas palavras que podem usar.




Amor é uma coisa, apego é outra. No primeiro caso, a base é a liberdade. No segundo, o sufocamento, o auto engano.

Quem ama enxerga. Discerne a hora de ir, voltar, dizer, calar. Amar implica em ser sábio, paciente para maturação dos processos. É preciso ter calma para entender o tempo de cada coisa. É preciso ter calma e enxergar-se.

Há situações difíceis envolvendo pessoas que se amam. Pais que sobrecarregam os filhos, cônjuges que não se respeitam mais, amigos que não se perdoaram, gente vinculada por alguma magoa, pesada como uma corrente presa aos pés, tropeçando, caindo, tentando levantar.

Desapego é livrar-se da corrente, jamais das pessoas.

Pode ser preciso afastar-se por um tempo para se recuperar, ter seu próprio espaço, mudar de ambiente. Talvez seja o contrário, hora de aproximar-se, diminuindo a distância que gerou o mal entendido, quem sabe uma conversa franca e aberta seja suficiente? Não há fórmulas prontas. Apenas livre-se das correntes e saberá o que fazer. Isso é desapego.

Você pode pensar que “se apegou” a alguém. Isso é impossível. O apego está ligado à sua insegurança, aos seus medos, vazios, que se projetam em alguém.

Você não está preso à pessoa, mas em si mesmo. Podem ser pais, amigos, marido, esposa, filhos, até o cachorro. Conheço uma mulher com quase 40 anos que trata seu bicho de pelúcia como filho. O apego não está no bicho, mas nos vazios dela. O bicho só recebe essa carga. Ela não precisa se livrar do bichinho, mas encarar seus vazios.

Desapego é abrir mão do excesso. É a coragem de enxergar-se nos maus entendidos, assumir sua responsabilidade nos desgastes, repensar até que ponto tem contribuído para que as coisas estejam fora de controle. É livrar-se da corrente e prosseguir com leveza, em amor.

Amor gera auto crítica porque amor é consciência. É a gênese das desconstruções, do livrar-se da sobrecarga, do silêncio necessário para entender as causas, enxergar aonde tem errado, ter coragem para abrir mão do que precisa ficar para trás.

Jamais abandone as pessoas, ainda que em alguns casos a distância seja necessária. Jamais se omita diante da necessidade de alguém, mesmo que existam situações aonde o silêncio é mais eloquente. Nunca mate outro ser humano dentro de você, mesmo que seja importante afastar-se.

Desapego é enxergar-se no que te aflige, seja o que for, abrir mão do sentimento de vítima, entender aonde alimenta os processos e assumir que não precisa ser assim. É pacificar-se e prosseguir, amando as pessoas em liberdade, deixando as correntes pelo caminho.